Na próxima quinta-feira (23), estreia “John Wick 4: Baba Yaga”. Essa é a terceira sequência envolvendo o personagem, cujo universo reserva ainda, para breve, dois spin-offs: “Ballerina”, filme estrelado pela Ana De Armas, com direção de Len Wiseman, e “The Continental”, minissérie prequel com Colin Woodell e Mel Gibson.
Criação do roteirista Derek Kolstad, “John Wick” é um caso interessante dentro do cinemão hollywoodiano. É possível estabelecer uma linha de antes e depois do sucesso do primeiro longa-metragem no modo como alguns filmes de ação recentes foram feitos.
Lançado em 2014, o filme foi comandado pela dupla Chad Stahelski e David Leitch, dois diretores de dublês. Ao partir da premissa de um ex-matador “imparável” que volta ao jogo quando seu cachorro de estimação é assassinado pelo filho de um gangster, os dois fugiram dos clichês de câmeras tremidas e cortes rápidos populares à época e entregaram sequências de ação mais claras, cruas, em que o espectador tem tempo para apreciar a violência em tela.

Isso não é novidade para quem acompanha o cinema de ação de fora dos Estados Unidos, principalmente o asiático. “John Wick”, em estilo, pega muito do que era feito em produções policiais com artes marciais de Hong Kong nos anos 1980 (pense em filmes dirigidos por Jackie Chan, John Woo, Sammo Hung, dentre outros), e está bem em linha com a “Trilogia da Vingança” do coreano Park Chan-wook (principalmente “Oldboy”, de 2003).
Mas para o cenário norte-americano, foi um sopro de ar fresco. Que deu muito certo. As produções, com orçamentos modestos, viram um crescimento de bilheteria a cada novo capítulo lançado nas telonas. E na esteira desse sucesso, começou uma “onda John Wick”.
Não é uma onda oficial, claro. Porém, nos últimos tempos, além das continuações com Keanu Reeves, uma porção de filmes que seguem essas mesmas batidas de roteiro ou execução viram a luz do dia. A maioria tem o dedo dos diretores. Alguns são excelentes, outros nem tanto. Contudo, todos têm muito estilo. Dá pra encarar uma maratona depois de conferir “Baba Yaga”:
Deadpool
(Tim Miller, 2016)

Primeira aventura com o anti-herói para maiores da Marvel quando a Fox ainda não havia sido adquirida pela Disney. Além de todas as gags humorísticas e piadas de quebra da quarta parede, o filme apresenta mais uma porção de sequências de ação ultraviolenta que enchem os olhos.
Atômica
(Atomic Blonde, David Leitch, 2017)

É sacrilégio afirmar que “Atômica” é ainda melhor que todos os “John Wick”? David Leitch faz aqui seu primeiro filme solo, onde Charlize Theron encarna uma espiã nos últimos dias antes da queda do muro de Berlim. O segmento com ela brigando num prédio é deslumbrante.
Deadpool 2
(David Leitch, 2018)

Filme seguinte do Leitch, que dá sequência às aventuras do Deadpool. Honestamente: não há uma história de verdade aqui, mas a rodagem inteira vale pelas várias cenas absurdas, principalmente as que envolvem a mutante Domino (Zazie Beetz).
Aves de Rapina
(Birds of Prey, Cathy Yan, 2020)

O “solo não oficial” da Arlequina tem a participação do Chad Stahelski, que dirige algumas das sequências de ação adicionadas em refilmagens, o que é perceptível quando o reassistimos com essa informação. As cenas de violência exagerada, principalmente no segmento do parque de diversões, são bem a cara do diretor. “Aves de Rapina” é um filme bem injustiçado. Certamente vale ser redescoberto.
Anônimo
(Nobody, Ilya Naishuller, 2021)

“Anônimo” é tão “John Wick” que literalmente tem o David Leitch na produção. Na trama, Bob Odenkirk vive um pai de família que tem a casa invadida por bandidos armados. Seus parentes passam a vê-lo como um fracassado por ter permitido que isso acontecesse. Por um conjunto de motivos, ele entra numa espiral de violência, e mostra que, por trás daquela faixada de cara normal, há alguém muito perigoso.
Pig
(Michael Sarnoski, 2021)

Nicolas Cage defende que esse, junto com “Despedida em Las Vegas” (1995) e “Vivendo no Limite” (1999), é um de seus melhores filmes. As semelhanças com “John Wick” se limitam ao tipo de premissa: quando o protagonista tem sua porca de estimação roubada à mando de um ricaço, ele embarca numa aventura para recuperá-la. Essa aventura envolve um submundo esquisito de cozinheiros e criminalidade, mas nunca chega à violência tão explícita. Particularmente, acho que o roteiro nunca engata de verdade, mas a interpretação de Cage vende o pacote todo.
Passado Violento
(Clean, Paul Solet, 2022)

Nesse, um lixeiro (Adrien Brody com um visual hipster) atrai a atenção de bandidos de uma cidade quando salva uma garota de violentadores. Da lista, é o menos divertido. Porém, também tem bastante estilo.
Noite Infeliz
(Violent Night, Tommy Wirkola, 2022)

“O John Wick agora é o Papai Noel!” Outro produzido pelo David Leitch. Nesse novo clássico natalino, David Harbour é um Papai Noel viking que já não enxerga mais a magia da data nessa geração. Só que, quando uma mansão onde ele está em uma entrega de presentes no momento é invadida por uma equipe de bandidos (liderada pelo John Leguizamo, que parece se divertir muito no papel), o bom velhinho precisa recorrer aos seus instintos mais selvagens para salvar uma menininha refém que ainda acredita nele.